Contemplação e posse

Costumo caminhar no Lago Jacarey todo dia, por 40 minutos, no final da tarde.

Ali, deixo-me inebriar pela suntuosidade da natureza; é o meu combustível diário, para o corpo e para o espírito.

Há dois dias, contudo, sinto falta dos dois cisnes que há anos compõem a paisagem do Lago.

Fico pensando se algum “cidadão de bem” os afanou…

Sabe como é a cabeça do “cidadão de bem”, né?

Ele só sabe desfrutar de alguma coisa se detiver a posse dela; a obsessão pela posse, pela propriedade, pelo acúmulo de bens (muitos dos quais ele nem consegue usar) lhe obstam a capacidade de usufruir do belo, do artístico, e do requintado, se esses atributos se manifestarem em algo de acesso público, coletivo.

Não, assim “não tem graça”, para o “cidadão de bem”: ele só se satisfaz se tiver acesso exclusivo ao desfrute; se tiver que compartilhar com a coletividade, pra ele, “perde a graça”.

Bom, vamos esperar…

Quem sabe o “cidadão de bem” não sofre um surto repentino de peso na consciência e devolve os cisnes para a coletividade, né ? (se tiver sido mesmo ele que os subtraiu, é verdade… existem outras hipóteses sobre o desaparecimento dos dois bichinhos… reconheço…)

Enfim, aguardemos.

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