O Alto Custo do Preço Baixo

“O Walmart é um dos maiores conglomerados do mundo. Com um faturamento anual superior a us$ 335 bilhões, perde apenas para a gigante petrolífera ExxonMobil.

Ao contrário dos primeiros conglomerados, que evoluíram em 1900 na esteira de impressionantes invenções e inovações tecnológicas, o Walmart e seus congêneres construíram impérios com base em quase nenhuma inovação tecnológica, exceto uma longa cadeia de “inovações” que envolvem métodos engenhosos de esmagar os preços de seus fornecedores e, de um modo geral, cortar os rendimentos dos trabalhadores envolvidos em todas as fases da produção e distribuição de seus produtos.

Agora, seria errado dizer que o Walmart maltrata seus empregados – e pela simples razão de que ele não tem nenhum! Pelo menos não de acordo com o Walmart, que descreve as pessoas que trabalham para ele como “associadas”. O que isto significa é que a empresa não se julga propensa a considerar sua força de trabalho como humanos assalariados e vivos. Em vez disso, emprega uma linguagem orwelliana para explicar a proibição absoluta de qualquer atividade sindical em suas instalações. O resultado é uma variedade de alegações desagradáveis: a maioria dos “associados” do Walmart trabalha por menos de us$ 10 por hora, habitualmente cumpre horas extras sem pagamento adicional e é muitas vezes trancada dentro dos armazéns nos turnos da noite. Estas denúncias resultaram em pelo menos 63 ações judiciais em 42 estados norte-americanos. De fato, a empresa optou por fazer acordos em todos eles, a um custo de us$ 352 milhões, uma grande quantia, mas uma mera fração dos salários “economizados”.

A situação nas oficinas e nos campos do Terceiro Mundo, onde as mercadorias são cultivadas ou produzidas em nome do Walmart, está, como se poderia imaginar, na fronteira com a criminalidade. […] Os trabalhadores do Walmart vivem permanentemente abaixo da linha de pobreza, podendo ser incluídos no programa de vale-refeição do governo do norte-americano. A maior ação judicial privada na história dos Estados Unidos envolveu uma remuneração distorcida e a não-promoção de 1,5 milhão de funcionárias mulheres.

No chocante documentário de 2005 de Robert Greenwald sobre a Walmart, O Alto Custo do Preço Baixo  [assista aqui], uma mulher que trabalha em uma fábrica de brinquedos chinesa pergunta: “Você sabe por que os brinquedos que você compra são tão baratos?”, e então prossegue sem fôlego para responder à sua própria pergunta: “É porque nós trabalhamos o dia todo, todos os dias e todas as noites.” “

(Extraido do livro “O Minotauro Global”, do ex-ministro da Fazenda da Grécia, Yanis Varoufakis)

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